Céu de Origamis
26/12/2009


Em tempos de Big Brother, desaparecer é uma proeza

Sinopse: Dr. Marcos é um homem tranquilo, sem vícios, quase invisível. Por isso, quando ele desaparece sem deixar rastro, a situação é tão inusitada que sua mulher não sabe a quem recorrer que não ao delegado Espinosa. Recuperando-se de uma facada que por pouco não acaba com sua vida, ele assume a investigação em caráter não oficial.

Após dois anos desde seu último livro, o delegado Espinosa volta à ativa em Céu de Origamis, o nono livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza.

Em Na Multidão, publicado em 2007, o delegado dividia a cena com um antagonista bastante esperto, um personagem muito bem construído. Nesta nova empreita o leitor assíduo de Espinosa reconhecerá duas situações: o policial recupera seu lugar no centro das atenções do romance e, por outro lado, divide as próprias atenções entre duas mulheres bastante diferentes, algo comum quando se trata de Espinosa.

As personagens femininas de Garcia-Roza costumam ser um atrativo à parte e ter papel importante na trama, por vezes decisivo, já que nem sempre elas dizem a verdade. Sempre me intrigaram as razões por que Espinosa, policial tão competente e respeitado, acaba se envolvendo com umas moçoilas de caráter duvidoso. Não raro ele é enganado por uma ou outra. Apesar de ele sempre acabar descobrindo o engodo, não me parece muito verossímil.

Neste livro, há Adriana e Cecília, respectivamente esposa e secretária do dentista desaparecido. As duas são ambíguas, cada uma à sua maneira, e o leitor às vezes fica sem saber o que elas querem, o que só acrescenta à trama.

O leitor também é apresentado ao filho de Espinosa, um jovem arquiteto que morou desde os 3 anos nos Estados Unidos e agora volta ao Brasil para, de certa forma, resgatar suas origens. Tal pai, tal filho – durante a leitura, percebe-se que Julio tem a mesma tendência para triângulos amorosos que o pai. A relação entre os dois é pouco explorada, porém; desconfio que será aprofundada nos próximos livros, para o que torço, já que o rapaz é meio misterioso, meio reservado e parece estar escondendo o real motivo de sua volta ao País.

Céu de Origamis trata dos limites humanos e das decisões que tomamos quando esses limites estão prestes a ser rompidos. O dentista, a esposa, a secretária, o filho de Espinosa: de certa forma todos são forçados a rever decisões, a confrontar-se com o passado, a passar a limpo a vida pregressa para seguir em frente. Para a sorte do leitor, notar como cada um faz isso é um dos encantos do livro.

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  • Céu de Origamis, de Luiz Alfredo Garcia-Roza (Companhia das Letras)


  • Céu de Origamis
    Autor: Luiz Alfredo Garcia-Roza
    Editora: Companhia das Letras
    Ano: 2009
    Páginas: 264

     
     
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