Lisbeth Salander: guarde este nome
Sinopse: Lisbeth Salander está sendo acusada de triplo assassinato, e a imprensa acredita nisso. A exceção é Mikael Blomkvist, da revista Millennium, que fará de tudo para provar a inocência daquela que, dois anos antes, salvara sua vida.
Quem já viu os livros da série Millennium deve ter de assustado. O primeiro, Os Homens que Não Amavam as Mulheres, tem 522 páginas. Este segundo volume, A Menina que Brincava com Fogo (Flickan som lekte med elden), tem 608. O terceiro é ainda um pouco maior. Mas eu já digo aqui: supere esse medo, porque esta série é uma das mais empolgantes que você poderá ler em sua vida.
Este segundo livro começa com as férias de Lisbeth Salander, em sua tentativa de superar os sentimentos que nutre pelo mulherengo Mikael Blomkvist. Os dois mal se falam, apesar das tentativas de Mikael, que então se dedica ao trabalho na revista Millennium – um sucesso graças à ajuda de Salander. Mas como os personagens foram muito bem construídos no primeiro livro da série, e, por dispensar apresentações, a história que se segue ganha a profundidade pretendida pelo autor.
Na revista, Mikael está às voltas com uma edição especial sobre tráfico de mulheres na Suécia, que conta com a participação do também jornalista Dag Svensson e da criminalista Mia Bergman. Então seus dois amigos e colaboradores são assassinados e também o tutor de Lisbeth. Espalham-se notícias sobre a culpa de Lisbeth, que passa a ser procurada pela polícia, mas Mikael acredita que, de alguma forma, os assassinatos estão ligados às pesquisas de Dag e Mia.
Stieg Larsson prova mais uma vez que seu lugar no mundo era mesmo como autor. Sua narrativa é ágil e detalhada, mas sempre selecionando bem os pontos em que se aprofundará, o que poupa o leitor de descrições enfadonhas.
Outro ponto em que Larsson se destaca é no desenrolar de seu mistério e na consequente resolução. É com o personagem Mikael que descobrimos os detalhes da investigação; quando se revela o segredo, o leitor não se sente enganado, já que todas as informações descobertas pelo jornalista lhe foram reveladas. Como se não bastasse, as inversões de foco narrativo (o personagem cujo ponto de vista é narrado) tornam a leitura ainda mais dinâmica e emocionante.
Ainda deixo uma outra dica para o leitor: em hipótese alguma termine de ler A Menina que Brincava com Fogo sem ter o terceiro e último volume da série (A Rainha do Castelo de Ar) na mão. É impossível não abrir o livro logo em seguida.
Imperdível.
Nerdshop:
• A Menina que Brincava com Fogo, de Stieg Larsson (Companhia das Letras)
• A Menina que Brincava com Fogo, de Stieg Larsson (Companhia das Letras)