AC/DC
30/11/2009


Quando Nasi e banda deram abertura para o que viria a ser o show do AC/DC no Estádio do Morumbi, parecia inevitável que a perspectiva do show para aqueles fora da pista fosse frustrante. Por mais que fosse divertido ouvir clássicos como Should I Stay or Should I Go e Até Quando Esperar, a visibilidade era ruim, o volume não era alto e a interação da banda com as dezenas de milhares de pessoas na plateia era limitada.

Meia hora depois, o show começou.

É desnecessário alongar-se descrevendo o fantástico vídeo de abertura e a entrada triunfal da banda (os curiosos podem encontrar gravações no Youtube). Basta dizer que no momento em que o telão no centro do palco se divide em dois para dar lugar ao trem da turnê Black Ice, dava para perceber que a coisa era séria.

O profissionalismo do show foi notável. O som era claro e alto para todos e, embora não fosse ensurdecedor, se sobrepunha aos gritos da plateia (o que não é pouco quando se trata de um grupo e de um show desse quilate). As imagens das câmeras nos telões tinham o ângulo e a aproximação escolhidos com precisão para cada momento da apresentação, evidenciando com detalhes os movimentos mais relevantes no palco. Os vídeos e efeitos especiais complementavam o cenário, fazendo o próprio visual do show um espetáculo por si só.

A performance da banda é incrível. A sincronia entre os integrantes era tamanha que a canção de abertura, Rock n’ Roll Train, pareceria um playback se não fosse a espontaneidade do grupo. Brian Johnson continua com uma voz potente ao vivo e, se está mais velho, debocha disso com gestos e rebolados mais espalhafatosos do que vemos em shows de vinte anos atrás. O guitarrista Angus Young é mais um espetáculo à parte: dança, pula, corre pela passarela, interage com toda a plateia, tira a roupa e, claro, toca guitarra monstruosamente, com a habilidade e energia que poucos têm. Em um momento, o resto da banda se retira e Angus literalmente sustenta o show sozinho. E faz isso muito bem.

O repertório incluía algumas das melhores músicas do novo álbum, mas era composta principalmente por clássicos do grupo. Ouvir You Shook Me All Night Long seguido por T.N.T. foi inacreditável. Ao fim de cada performance as telas e luzes se apagavam, como se cada música fosse uma apresentação isolada. E se não era isso mesmo, era algo bem próximo.

Mesmo sentindo falta do ouvido estourado usual ao fim de shows assim, ficou a certeza de que aquilo ficaria na memória. Digo “aquilo” porque falar que foi “um show” seria injusto. Em questões de apresentação, foram pelo menos 4 shows simultâneos. Em questão de repertório, pelo menos 10 shows seguidos.

Obs: Antes da banda começar a tocar, podiam ser vistos espaços vazios generosos, principalmente nas arquibancadas. No final, depois que as luzes do estádio se acenderam totalmente, via-se o local absolutamente lotado. Em momentos como esse percebemos a quantidade de ingressos que ficam na mão de cambistas, impedindo fãs (incluindo este que vos fala) de conseguir lugar no setor que desejam. Lamentável.

*Cássio fez questão de comer o sanduíche australiano do Morumbi.


 
  Home
© 2005 - 2009 Homem Nerd. Todos os direitos reservados.