Espinosa sem Saída
04/07/2009


Encurralado

Sinopse: Um mendigo sem uma das pernas é assassinado com um tiro em um beco sem saída de Copacabana numa noite de temporal. No curso das investigações, ocorre outro assassinato misterioso, o que faz com que o delegado Espinosa tenha que buscar os fios lógicos que ligam os dois crimes.

O resumo acima faz pressupor que exista lógica por trás das mortes investigadas em Espinosa sem Saída, o sexto livro da série protagonizada pelo delegado de Copacabana. Mas isso está longe de ser verdade. Quando finalmente Espinosa descobre como ocorreram as duas mortes, há poucos elementos em comum, o que torna falho qualquer nexo causal que se tente estabelecer.

Elementos em comum é possível encontrar entre este livro e o anterior da série, Perseguido. Em ambos há personagens com mania de perseguição e mentalmente instáveis bem como personagens psicólogos. Há mais uma coincidência, mas que não será mencionada para não caracterizar spoiler.

O livro guarda semelhanças também com Berenice Procura, o livro anterior cronologicamente. Depois de escrever cinco livros com o personagem do delegado Espinosa (O Silêncio da Chuva, Achados e Perdidos, Vento Sudoeste, Uma Janela em Copacabana e Perseguido), Garcia-Roza publicou uma história que se passava no mesmo espaço da praia de Copacabana, mas com uma protagonista feminina, a Berenice do título. Naquele livro, assim como neste Espinosa sem Saída, um sem-teto ocupa posição de destaque na trama.

A leitura deste livro deixa a impressão de que os personagens poderiam oferecer mais ao leitor. Aldo Bruno não é uma pessoa interessante, nem de longe tão perturbado quanto Gabriel (Vento Sudoeste) ou autoquestionador como Vieira (Achados e Perdidos). Camila e Mercedes são mulheres complexas cujo comportamento é intrigante e poderia ter sido mais explorado.

Quanto a Espinosa, desde Uma Janela em Copacabana, o delegado anda desgostoso com a profissão. Aqui o sentimento de desânimo permanece, mas não é percebido por marcas textuais, por elocubrações feitas pelo personagem. O que ocorre é que o livro deixa de lado as inquietações psicológicas de Espinosa e o resume a uma apatia que permeia todo o livro. Há que se falar ainda em um detalhe menor, mas não menos importante para o leitor assíduo de literatura policial. Livros policiais são geralmente escritos em série. Cada um traz uma história diferente, mas possuem um conjunto de protagonistas em comum. Assim, o leitor que acompanha a obra de determinado autor espera ver, conforme avança na leitura, certa evolução nesses personagens. Na obra de Garcia-Roza, por exemplo, além de Espinosa, há o detetive Welber e o inspetor Ramiro, mas eles pouco ou nada evoluíram ao longo de seis livros. Algumas questões, como o desejo de Welber de se mudar do Grajaú para Copacabana, são levantadas em Perseguido, mas esquecidas neste Espinosa sem Saída.

O livro não é ruim, mas está longe de ser o melhor Garcia-Roza.

Leia mais sobre Luiz Alfredo Garcia-Roza.

Nerdshop:

  • Espinosa Sem Saída, de Luiz Alfredo Garcia-Roza (Companhia das Letras)

  • Espinosa sem Saída
    Autor: Luiz Alfredo Garcia-Roza
    Editora: Companhia das Letras
    Páginas: 210
    Ano: 2006

     
     
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