Cidade do Sol, A
30/06/2009


Preconceito e sofrimento

Sinopse: Conta a história de Mariam e Laila, duas mulheres muito diferentes que se encontram em meio ao caos da intolerância, das tradições distorcidas, da guerra contra tudo o que genuinamente somos. São protagonistas unidas para sempre pelo desejo de superar o sofrimento e o medo, vencer a opressão e encontrar a felicidade. Um desejo sem cor, sexo, raça ou credo.

Segundo romance de Khaled Hosseini (O Caçador de Pipas), A Cidade do Sol foi idealizado quando o autor retornou ao seu país natal, Afeganistão, de onde se afastara desde os 17 anos. O livro alcançou imediatamente a condição de best-seller nos EUA, sucesso que se repetiu no Brasil, conforme se vê nas lista dos Mais Vendidos.

Mas a obra de Hosseini não é para os fracos de coração. A narrativa é contundente, por vezes até naturalista, por conta da crueza com que aborda certos assuntos, como o sexo. Não há romantismo, o livro não traz conselhos ou lição de moral. Não há clímax, não há suspense. Apenas uma história sendo muito bem contada. Tão bem contada que o leitor sofre junto com as protagonistas página a página, capítulo a capítulo.

O livro mostra a trajetória de Mariam e Laila desde a infância, e o leitor acompanha o desenrolar das duas histórias com o mesmo interesse. Hosseini divide o livro em duas partes. Na primeira, as duas mulheres são apresentadas separadamente, embora o leitor saiba desde logo que o caminho delas vai se cruzar. Quando esse momento finalmente acontece, as expectativas criadas são correspondidas, o leitor não se frustra.

Na segunda parte, cria-se um antagonismo entre Mariam e Laila, mas que, conforme o passar da narrativa, perde força e dá lugar a uma cumplicidade nascida da dor e do sofrimento, ambos causados pelo preconceito e pela condição social imposta às mulheres pelo governo talebã.

As duas personagens são bem construídas e têm atitudes que condizem com a formação que tiveram quando criança. Essa educação se refletirá, ao longo do livro, em todas as reações que as duas apresentam. São personagens coerentes, fortes, retrato do que nós, ocidentais, imaginamos ser as mulheres do Oriente Médio.

Embora não aborde um tema novo – a condição da mulher em uma sociedade patriarcal –, para a literatura contemporânea o maior mérito de A Cidade do Sol é trazer para o Ocidente o conhecimento acerca das barbáries perpetradas contra as mulheres no Oriente atual.

*Ana Maria dá graças aos céus por ter nascido brasileira.

Nerdshop:

  • A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini (Nova Fronteira)


  • A Cidade do Sol (A Thousand Splendid Suns)
    Autor: Khaled Hosseini
    Tradutor: Maria Helena Rouanet
    Editora: Nova Fronteira
    Páginas: 368
    Ano: 2007

     
     
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