Ratos de escritório
Sinopse: Simon é um psicólogo escalado para vigiar o diretor geral da multinacional para a qual trabalha. O homem é acusado de ter um comportamento estranho. Simon já avaliou vários trabalhadores, que foram afastados depois das conclusões a que ele chegou, e ele próprio está sofrendo desequilíbrios.
Os personagens de A Questão Humana (La Question humaine) são “ratos de escritório”. Esse arquétipo social cada vez mais comum são os engravatados que trabalham por muitas horas em seus escritórios. Essa tribo tem a fascinante mania de andar va-ga-ro-sa-men-te pelas ruas próximas ao seu local de trabalho durante o horário de almoço.
As longas e exaustivas horas de trabalho e o ambiente insípido no qual estão inseridos podem facilmente levar o rato de escritório à loucura. Para salientar a atmosfera corporativa, os cenários do filme só trazem cores neutras – mesmo nas casas das pessoas – e a direção de fotografia é azulada, destacando a frieza das relações humanas no local.
Todos os funcionários são uniformes, como se fossem parte de um rebanho capitalista. O figurino é composto sempre – até em festas pretensamente informais – por um terno preto; camisa clara, normalmente branca; e gravatas nada chamativas. Além disso, o gestual dos empregados é semelhante, comparando-os com robôs.
Similar ao o que ocorre em O Alienista, o protagonista tem a missão de identificar as pessoas com desequilíbrios mentais. O problema é que ele próprio não pode confiar em sua consciência e acaba vendo a loucura em todos a sua volta, gerando cenas absurdas e bizarras.
O roteiro de A Questão Humana traz boas comparações, mas não é coeso. Quando já se passou um bom tempo e já se está mergulhado na trama, um importante elemento totalmente novo é introduzido repentinamente. A partir desse ponto, a nova questão é levada ao centro dos conflitos durante todo o restante do filme. Como a produção permite quase qualquer tipo de loucura, um texto com uma linha cronológica mais flexível poderia resolver a falha.