
Abrem-se as cortinas...!
Dando continuidade a um interessante projeto iniciado há dois anos, foram anunciados hoje os competidores da edição 2009 da Copa de Literatura Brasileira.
Longe de ser a premiação definitiva da literatura brasileira (título a que efetivamente não aspira, conforme o texto de apresentação esclarece), a Copa tem o mérito de justificar a vitória de cada livro aos torcedores com argumentos consistentes, defendidos por jurados que tem nome e sobrenome.
No ano passado, Na Multidão, um favorito desta colunista, chegou até a semifinal, o que é um feito para um romance de gênero. Para começo de conversa, é lógico que o bom nome de Garcia-Roza foi essencial para o livro ser incluído no rol de competidores, mas não teria vencido duas partidas (uma delas contra Ruy Castro!) sem merecimento. Em defesa da honra da literatura policial, preciso dizer que o livro só foi eliminado porque teve que enfrentar o vencedor do torneio (e de todas as premiações de 2008), O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza.
Nenhum dos participantes deste ano tem a minha torcida incondicional, como Garcia-Roza tinha ano passado. No entanto, vários contam com a minha simpatia absoluta. Rodrigo Lacerda é um deles. Apesar de nunca ter lido nada dele, assisti à sua participação na Flip e gostei muito das ideias que apresentou. Já Contardo Calligaris incute uma clareza a seu discurso, tanto falado quanto escrito, que é admirável. Torço também por Lourenço Mutarelli, pelo simples fato de ser um artista versátil e que merece maior reconhecimento.
Por outro lado, alguns merecem minha antipatia irrestrita. Li vários livros de Patrícia Melo e posso dizer que foram uma crescente decepção. O primeiro foi O Matador, e por causa dele a autora se tornou vítima da própria excelência. O livro é excepcional e elevou minhas expectativas para os seguintes de tal forma que o tombo da autora foi muito, mas muito, feio. A história de Elogio da Mentira e Inferno não chegam ao dedo do pé de Maiquel, um dos personagens mais marcantes que já vi. Desisti de vez de Patrícia Melo depois de ler Valsa Negra, um desabafo conjugal, um diário disfarçado, um arremedo de romance, um livro que não vale o custo da impressão.
Não tenho Moacyr Scliar em melhores graças também, desde que o imortal declarou no Festival da Mantiqueira do ano passado que livros com muitos diálogos são, por princípio, ruins. Causou indignação no público e revolta em Mario Prata, que assistia à palestra em pé, de pantufas.
Para outros competidores, é impossível entrar na disputa de peito aberto, tranquilamente, sem se antecipar o que acontecerá, caso de Milton Hatoum, João Gilberto Noll e Paulo Coelho. Os dois primeiros porque já reputados como excelentes ficcionistas. O último, justamente pelo contrário.
Por fim, cabe destacar três livros para os quais tenho ouvido só bons comentários: O Livro dos Nomes, Flores Azuis e O Verão de Chibo. Acho que vencem pelo menos a partida de estreia.
Ainda não sabemos quem enfrentará quem ou quando serão os jogos, mas, assim que o torneio começar, os leitores poderão acompanhar os resultados e comentários em nosso blog. Aguarde!