Listas, seja qual for a natureza ou o propósito delas, são sempre polêmicas. Fã de listas (e de polêmicas) que sou, vou dar o meu palpite sobre o que foi destaque em 2008 no campo da literatura. A lista não está organizada por ordem de importância, apenas reflete a (des)ordem em que os assuntos surgiram na minha cabeça.
Crepúsculo, a série
Sim, não dá para negar. No que se refere à literatura jovem, este foi o ano de Stephenie Meyer. Crepúsculo e Lua Nova, os dois primeiros volumes da (até agora) tetralogia sobre vampiros adolescentes, foram lançados no Brasil com grandes expectativas e não decepcionaram. Ambos marcaram presença na lista dos livros mais vendidos do País e continuam faturando alto, agora com as vendas impulsionadas pelo filme e pelo lançamento do terceiro volume, Eclipse. Vampiros estiveram em alta em 2008 e foram tema de Especial aqui no Homem Nerd.
Zafón, o retorno
Depois de sete anos de silêncio excruciante para os fãs, o autor espanhol Carlos Ruiz Zafón quebrou o jejum e brindou os órfãos de seu primeiro romance adulto, A Sombra do Vento, com uma pérola chamada O Jogo do Anjo. Se você já leu, sabe do que estou falando. Se ainda não leu, clique aí em cima no banner do Submarino (ou aqui) e compre o livro. Qualquer um dos dois. Agora. Já. É sério.
O policial que veio do frio
E quando a gente achava que na Suécia só existia o ABBA (quem viu Mamma Mia!?) e o estádio em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo de 1958, eis que surge Stieg Larsson. Tão rápido como surgiu, porém, ele se foi. O escritor de policiais morreu em 2004 aos 50 anos, antes de ver publicada a trilogia Millenium e de desfrutar a fama que ele conquistou na Europa. Quatro anos depois, os brasileiros podem ler Os Homens que Não Amavam as Mulheres e comprovar a habilidade com que Larsson retomou o mistério de quarto fechado, recurso bastante frequente nos livros policiais clássicos, como os de Agatha Christie por exemplo, e efetuou uma releitura primorosa.
Da página para a tela
2008 também marcou a rendição definitiva de grandes editoras estrangeiras ao mundo virtual. Para evitar pirataria, empresas como as norte-americanas Random House e HarperCollins e a britânica Penguin colocaram à disposição dos internautas o download de trechos – livros inteiros até – sem custo algum. Iniciativa louvável, seguida de perto pela brasileira Conrad, e que demonstra maturidade empresarial e sintonia com a realidade atual.
In memoriam
Arthur C. Clarke, Zélia Gattai, Michael Crichton, Donald Westlake. Gente das letras, que deixou fãs, obras importantes e que fez história, merece ser lembrada em uma lista de destaques.
O furacão Tezza
Cristóvão Tezza, autor de O Filho Eterno, arrasou em 2008. Venceu todos os maiores prêmios da literatura nacional: Jabuti, Portugal Telecom, o recém-criado São Paulo de Literatura, mais o prêmio da revista Bravo! e o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).
Paraty lá, Mantiqueira aqui
Resposta paulista para a badalada Festa Literária Internacional de Paraty, o Festival da Mantiqueira realizou sua primeira edição com o tema Diálogos com a Literatura. Tem tudo para dar certo. A cidade é pequenina, mas bonitinha e as palestras, como já comentei, foram muito boas.
O Homem Centenário
Em setembro fez cem anos que Machado de Assis morreu. Por conta disso, 2008 foi o ano de lançamentos os mais diversos sobre um dos maiores escritores brasileiros. Foram biografias, ensaios contemporâneos inéditos e contemporâneos, reedições, uma profusão de títulos que enriqueceu ainda mais a Machadiana.
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Ainda, tivemos reedições da obra de Jorge Luis Borges e Jorge Amado, novo livro de José Saramago, edições comemorativas de clássicos brasileiros e estrangeiros... E há mais por aí.
Que venha 2009.